18/01/2010 – quinta-feira
Conforme o programado, eis o diário da cabana em atividade.
Mas não exatamente como seu redator supôs. Ontem, quarta-feira de cinzas, já de volta a São Paulo depois de sua folga de quatro dias (cf. grito de carnaval), dirigia-se à Igreja, pouco antes das 18h, para ouvir missa e receber sobre a cabeça a aspersão das cinzas, segundo o costume.
Este importante detalhe requer que se abra um parêntese: a quarta-feira de cinzas, não custa lembrar, é a celebração do início da quaresma, período de quarenta dias de penitência em preparação para a Páscoa da Ressurreição. Todo ano, neste tempo, a Igreja se une ao mistério de Jesus no deserto, o qual, levado pelo Espírito, foi para lá imediatamente após seu batismo nas águas do Jordão, permaneceu quarenta dias de jejum vivendo com os animais selvagens, rechaçou as tentações de Satanás e voltou para a Galiléia proclamando, nestes termos, o Evangelho de Deus: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho“.
A quaresma costumava ser um tempo de penitência rigorosa para os fiéis. Não comer carne durante esses quarenta dias era praxe. Assim, no dia anterior ao início da quaresma, muita gente desenvolveu o perigoso costume de se fartar de carne à vontade, em banquetes festivos. Aproveitavam também para cometer os “últimos pecados” antes do longo período de abstinência. De pouco em pouco, surgiu o carnaval, ou “festa da carne”, que se incorporou à cultura da Europa cristã (donde veio aportar nos trópicos com enorme sucesso). Assim, todo ano no Brasil, o dia anterior à quarta-feira de cinzas é declarado oficialmente “feriado de carnaval” (rigorosamente, de acordo com o calendário brasileiro, apenas a terça-feira é feriado de carnaval, tradicionalmente chamada “terça-feira gorda“, em referência aos excessos da gula e à concupiscência [fraqueza da carne]; o resto – sábado, domingo e segunda – é emenda).
Bom, dizia eu que, tendo voltado do descanso de carnaval, ia para a celebração de cinzas quando, pouco antes das 18h, vi o Atelier do Centro de portas abertas. Lá estavam Rubens Espírito Santo e Silvia Mharques. Como não os via há dias, dei uma rápida passada no estúdio para saber como andavam as coisas.
Fui informado de que a cabana extemporânea acabou.
Hoje pela manhã, fui pessoalmente ajudar RES e André Albuquerque a demolir tudo. Sobrará na galeria Mário Schenberg apenas o espaço em ruína.
Agradeço a todos os pacientes leitores que acompanharam este diário. Este é o último relato deste escrivão.

ZUOUOBAGUIO…
parabéns pela competencia na descrição dos acontecimentos
Parabens Andre
Pude acompanhar com muita atenção seus comentários e as criticas recebidas as quais muito enobrecem seu belo trabalho. Vc já esta pronto para ser um assistente de Euclides da Cunha. Parabens mesmo. Maravilhoso relato do ocorrido na cabana, e textos que muito aumentaram meu conhecimento e saber.
Qualquer dia me apresento para vc.
André! parabens mesmo, reli alguns posts hoje e agradeço.
Agora é o deserto e o mistério. Concentremo-nos.
Preciso te encontrar e te devolver o CD dos canudos e cantos do sertão…
abraço!
Cadê o livro?
SR. Andre Falacho
Muitos como eu, esperam comprar um exemplar de seu livro, não nos decepcione.
Espero voltar a ver você com uma edição nas mãos
Saudaçoes
Lucas